Elisa Lucinda
Ainda é corrente no conteúdo do discurso feminino nos tempos de agora, um pensamento que não considera que a sensibilidade masculina seja uma qualidade do masculino. Eu explico: há mulheres que dizem "fulano é tão sensível, seu lado feminino é bem desenvolvido". Sim, uma vez vindos do amor de um homem e de uma mulher temos o X e o Y em nós, mas cada uma dessas misturas em cada gênero, por serem um "planeta" orgânico e hormonal diferentes, geram aí, neste contexto específico, neste nicho, suas particularidades. Dizer que o lado bom de um homem é o seu lado feminino é uma espécie de "clitoriocracia"; é não considerar a linda sensibilidade masculina que tanto conhecemos. Não fosse assim, onde catalogaríamos os românticos, os que oferecem flores, os que não medem esforços para amar nossos filhos e aperfeiçoar a relação com seus amores. Amigos, irmãos, namorados e outros graus de afeto e ligação que temos com o ser humano macho nos revela as diferentes sensibilidades de cada um. Tudo isso é pra dizer que amo homens cuja sensibilidade não o assusta nem enfraquece. Outro dia ouvi uma história de um amigo baiano que se apaixonara por uma mulher que estava grávida de outro. Esse homem que a encontrou no segundo mês de gravidez, prenha de um outro que não a queria, amou-a sem nenhum julgamento. Apaixonou-se por ela oferecendo-lhe respeitos só concedidos às virgens. Nenhuma lei machista fora capaz de influenciar sua escolha. E mais, amou essa criança, beijou o ventre em que ela crescia e cobriu-lhe com o manto da paternidade irreversível. Pois, à exemplo de Deus, um pai é sempre eterno. Essa história que vos conto já tem quase duas décadas. O menino é um rapaz que até conhece o pai biológico, mas é com o pai que amou sua mãe com ele presente no ventre que esse fruto fez o laço. Em nome desse pai se criou homem sensível, herdando o DNA afetivo masculino, mais forte que o sanguíneo. É certo que vocês leitores devem conhecer inúmeras histórias de pais maravilhosos; há os que engravidam prostitutas, com elas se casam e inauguram nelas mulheres que elas queriam ser. Há os que, por serem mais amorosos e mais desimpedidos do que a mãe de seus filhos, foram para estes, a fundação do amor, o império do carinho, a educação pelos sentimentos e pelos sentidos. Há mães secas e pais melosos. É errôneo pensar que não há homens capazes de cuidar de assuntos delicados que envolvem um ser humano. Cabe a nós que criamos as crianças que um dia serão pais de outras, ensiná-las a cuidar das "pequenas grandes coisas do mundo"'. Menino e menina precisam brincar de boneca para que quando cresçam possam alimentar e trocar as fraldas de seus pinguinhos de gente. A sociedade precisa ficar de olho nisso. Em algum lugar estamos errando porque continuamos a produzir assassinos de mulheres, pais broncos e obtusos, maridos agressivos e grosseiros e etc e tal. Conheço famílias de hoje em que são as meninas que arrumam as camas dos meninos e nunca vice versa, embora sejam irmãos. São as meninas que servem os pratos dos meninos na ausência da a mãe, como que sendo preparadas para serem mães dos seus mimados maridos mais tarde.
Hoje eu preciso dizer isso. Pretendo colocar no proscênio do senso comum este homem que não é violento, não se sente fraco porque chora, muito menos é covarde quando compreende uma situação e se permite voltar atrás. Não podemos nem devemos deixar os futuros homens órfãos de uma educação amorosa que lhes desenvolva a sensibilidade como se esta ferisse a condição masculina e reduzisse sua bravura. Não. Pelo contrário, feliz da coragem que tem o amor como critério. Seu portador tem mais chances de ser justo e colaborar na construção de uma cultura de paz. Fui criada por um pai guerreiro que, embora nascido no começo do século passado, nos encheu de carinho, de estórias criativas na hora de dormir, e cuidou para que a compaixão, alturismo e o interesse pelo bem estar do próximo fossem os pilares de nosso convívio no mundo. Um pai será sempre eterno em sua função. Em nome deste pai e seu ensinamentos o mundo gira desde o primeiro homem. Minha literatura é herdeira do coração de meu pai.
Hoje eu preciso dizer isso. Pretendo colocar no proscênio do senso comum este homem que não é violento, não se sente fraco porque chora, muito menos é covarde quando compreende uma situação e se permite voltar atrás. Não podemos nem devemos deixar os futuros homens órfãos de uma educação amorosa que lhes desenvolva a sensibilidade como se esta ferisse a condição masculina e reduzisse sua bravura. Não. Pelo contrário, feliz da coragem que tem o amor como critério. Seu portador tem mais chances de ser justo e colaborar na construção de uma cultura de paz. Fui criada por um pai guerreiro que, embora nascido no começo do século passado, nos encheu de carinho, de estórias criativas na hora de dormir, e cuidou para que a compaixão, alturismo e o interesse pelo bem estar do próximo fossem os pilares de nosso convívio no mundo. Um pai será sempre eterno em sua função. Em nome deste pai e seu ensinamentos o mundo gira desde o primeiro homem. Minha literatura é herdeira do coração de meu pai.
De Elisa Lucinda




